Balanço da Petrobrás mostra aumento das importações de derivados e desvalorização do refino no País

04 Dec 2017
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A Petrobrás divulgou no dia 13/11, o seu balanço do terceiro trimestre de 2017 e o acumulado nos 9 meses do ano. Algumas informações chamam atenção sobre os resultados até o momento e o rumo estratégico adotado pela atual gestão da empresa. Aqui apontaremos apenas 2 temas.
Primeiro, pelo lado financeiro, verificou-se uma diminuição de 5,4% da dívida líquida frente ao segundo trimestre de 2017 (de R$ 295,3 bilhões para R$ 279,2 bilhões), o que permitiu uma nova queda da relação dívida/Ebitda (medida de alavancagem da empresa) para 3,16 vezes. Esta redução aconteceu por conta de duas escolhas importantes, seja pela negociação de rolagem do prazo de vencimento da dívida, alongando de 2017 para depois de 2020, como também pelo volume de pagamentos do principal e dos juros, acumulando R$108bilhões nestes 9 meses de 2017. Aqui chama atenção que deste total, R$69 bilhões foram adiantados em pagamentos para o sistema financeiro (nacional e internacional) que poderiam ser pagos mais à frente. Assim, na tentativa de diminuir o volume de sua dívida, a Petrobrás vem abrindo mão de avançar nos investimentos e utiliza expressivos recursos para o sistema financeiro nacional e internacional.
Segundo, pelo lado operacional, a produção total de petróleo e gás natural continua crescendo e chegou a 2.776 mil barris de óleo equivalente por dia (boed), sendo 2.660 mil boed no Brasil. Por outro lado, a produção de derivados apresentou queda de 6% na comparação anual, totalizando 1.802 mil barris por dia (bpd), enquanto as vendas de derivados no mercado doméstico atingiram 1.959 mil bpd, uma queda de 6%. Além disso, percebe-se maiores exportações líquidas de petróleo e derivados. Somente a exportação de petróleo da Petrobrás chegou a 550 mil barris dia, representando 20% do que produziu nacionalmente. Neste caso, fica claro a estratégia adotada pela empresa em aumentar a produção de petróleo, aumentar sua exportação e reduzir a produção de derivados e o uso de suas das refinarias, incentivando a importação de derivados por empresas privadas (nacionais e internacionais) e tentando achar “parceiros” para administração destas refinarias.
Os resultados apresentados até o momento pela atual gestão da Petrobrás mostram uma empresa com estratégias de curto-prazo, submetidas a lógica do capital financeiro e proporcionando, assim como quer o governo federal, a entrada de concorrentes estrangeiros no setor. É preciso mudar o rumo desta empresa e torna-la indutora do desenvolvimento nacional novamente.
Por Cloviomar Cararine, economista do DIEESE/GEEP/INEEP/FUP

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