Os trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, passaram por um grande susto na manhã desta terça-feira, 04, durante um incêndio que atingiu uma torre da unidade de Coqueamento Retardado (U-21). A emergência teve início por volta das 06h40 e só foi controlada às 09h, após o fogo ser debelado. Por sorte, ninguém se feriu durante o acidente, que ocorreu menos de quatro meses após a grave explosão que atingiu a Replan na madrugada de 20 de agosto.

A Petrobrás informou que a unidade atingida pelo incêndio está paralisada. A Abreu e Lima é uma das refinarias que está na mira dos gestores para ser privatizada e tem sofrido uma série de problemas em função dos desinvestimentos. “Acidentes como este são consequência de redução de efetivos e falta de manutenção, além de outros problemas graves de gestão”, revela o coordenador do Sindipetro-PE/PB, Rogério Almeida.

Não é de hoje que a FUP e seus sindicatos vêm alertando a Petrobrás para os riscos de um grande acidente industrial nas unidades operacionais, em função dos cortes de efetivos e do desmonte que a empresa vem passando. A situação foi agravada após a saída de cerca de 20 mil trabalhadores nos planos recentes de desligamento (PIDV), que levaram os gestores a implantarem de forma unilateral estudo de reestruturação de efetivos (Organização e Métodos -O&M), que reduziu ainda mais os quadros de trabalhadores nas áreas operacionais. 

A redução de efetivos gerou um déficit imenso de técnicos de operação, de manutenção e de segurança, comprometendo os processos de manutenção. As paradas foram reduzidas e, quando ocorrem, não há o devido acompanhamento dos técnicos da Petrobrás por falta de trabalhadores próprios. As refinarias foram as unidades mais afetadas e se transformaram em bombas-relógio.

[FUP]

A direção do Sindipetro Caxias junto da FUP e seus sindicatos participaram no dia 26, do ato nacional na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que fechou o calendário de luta deste mês de julho contra as privatizações no Sistema Petrobrás. Junto com a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, a unidade foi colocada à venda, num pacote fechado, que inclui ainda cinco terminais e 770 Km de oleodutos.
O negócio, barrado momentaneamente por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), que impede o governo de vender empresas públicas sem autorização do Legislativo, faz parte do projeto de privatização das refinarias anunciado em abril pelos gestores da Petrobrás.

 

Da esquerda: Odirlei, Sanches e Arnaldo.


O objetivo é entregar à concorrência 60% do controle acionário das refinarias do Nordeste e do Sul do país, em dois grandes conjuntos de ativos, que incluem as unidades que atendem cada uma destas regiões, além de todo o sistema de logística da Transpetro para distribuição e escoamento dos derivados produzidos por elas.
O ativo Sul inclui a Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), no Rio Grande do Sul, a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), no Paraná, sete terminais e 736 km de oleodutos. Essas quatro refinarias representam 36% da capacidade de refino do país e são responsáveis por abastecer toda região Sul, Norte e Nordeste, além de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Para denunciar os impactos que esse desmonte causará ao país, a FUP e seus sindicatos realizaram ao longo de julho atos em todas as refinarias ameaçadas de privatização. A primeira mobilização foi na RLAM, no dia 03 de julho, seguida da REFAP (no Rio Grande do Sul), no dia 12 de julho, e da REPAR (no Paraná), no dia 17 de julho.

A Bahia, onde foi construída a primeira refinaria do país, foi o estado escolhido pela FUP para dar inicio a uma série de mobilizações nacionais em defesa do Sistema Petrobrás e contra a entrega das refinarias, dutos, terminais, fábricas de fertilizantes e demais ativos da companhia, no dia 03/07.
A direção do Sindipetro Caxias esteve presente representada pelo presidente Luciano Santos e os diretores Paulo Cardoso, Marco Aurélio e Simão Zanardi. O ato aconteceu no Trevo da Vitória, em Mataripe-BA, e contou com grande participação dos trabalhadores e trabalhadoras da Refinaria Landulpho Alves, da Usina Termoelétrica Celso Furtado e da Transpetro. Ao final, os trabalhadores realizaram uma caminhada até a entrada da Refinaria ao som do Hino Nacional.


O Coordenador Geral da FUP, Simão Zanardi, descreveu a mobilização como um “ato de solidariedade e de demonstração de unidade nacional”, e apontou a greve geral por tempo indeterminado como único caminho para barrar a privatização do Sistema Petrobrás. Os diretores sindicais falaram dos momentos difíceis pelos quais passa o país, mas também das vitórias da categoria petroleira, como o cancelamento da venda das refinarias e terminais e dos julgamentos favoráveis da RMNR e da suspensão da cobrança do equacionamento em muitos estados.

Próximos atos
Ao longo do mês de julho, a direção do Sindipetro Caxias participará junto da FUP e seus sindicatos das atividades nacionais contra a privatização do Sistema Petrobrás.

Veja agenda abaixo:

12 de julho - ato na Refap (RS)
17 de julho - ato na Repar (PR)
18 de julho - Conselho Deliberativo da FUP (PR)
26 de julho - ato na Refinaria Abreu e Lima (PE)

Presidida pelo Deputado Federal Bohn Gass (PT-RS), foi lançada na Câmara dos Deputados Federais, em Brasília, no dia 20, a Frente Parlamentar em Defesa das Refinarias da Petrobrás. Esta é mais uma importante trincheira de resistência contra a privatização da empresa, além de contar com a participação de mais de 200 parlamentares de diversos partidos e estados do país
Durante a cerimônia de lançamento, o economista do Dieese e assessor da FUP, Cloviomar Cararine, fez uma apresentação, explicando a relação direta entre a proposta da Petrobrás de venda das refinarias, dutos e terminais com a política do governo Temer de escancarar para as empresas estrangeiras o mercado brasileiro de combustíveis, que é um dos mais importantes no mundo.
FUP anuncia atos
em defesa das refinarias
No evento, o coordenador geral da FUP, Simão Zanardi Filho, convocou os parlamentares a somarem forças com os petroleiros nas mobilizações que a Federação e seus sindicatos farão ao longo do mês de julho, com atos em todas as quatro refinarias que estão em processo de venda. Na primeira semana do mês, a mobilização será na RLAM (BA), com data ainda a ser confirmada entre 02 e 04/07. Na semana seguinte, será a vez da REFAP (RS), cuja mobilização será no dia 12/07. Em seguida, na REPAR (PR), no dia 17/07, e na Abreu e Lima (PE), no dia 26/07.
“Estamos com uma greve aprovada a ser marcada pela FUP e vamos nos reunir no dia 18 de julho para decidirmos os próximos passos na construção deste movimento histórico que os petroleiros estão organizando”, anunciou Zanardi, alertando os parlamentares para o objetivo central da greve.
“Nossa greve não é para desabastecer o país, como está fazendo o governo Temer com essa política de desmonte que reduziu a carga das refinarias e elevou os preços dos combustíveis e do gás de cozinha, obrigando milhões de brasileiros a voltarem a cozinhar com lenha e carvão. Nossa greve é para que as refinarias voltem a operar com carga máxima e a Petrobrás possa voltar a cumprir a sua missão, que é abastecer o povo brasileiro, de norte a sul do país”, declarou o coordenador da FUP.

Sindicato dos Trabalhadores na
Indústria e Destilação de
Petróleo de Duque de Caxias
Inaugurado em 26/03/1962